Drácula - Bram Stoker (resenha)

  
  Quem não conhece a história de Drácula, o vampiro que vai da Transilvânia a Londres e deixa um rastro de morte em seu caminho? Ironicamente, a maioria das pessoas está mais habituada as versões cinematográficas do personagem - da história original, poucos sabem com exatidão. A começar pela luz do sol: na versão de Bram Stoker, o Conde não tem qualquer problema em se locomover durante o dia - nada de queimaduras ou coisa que o valha. O único problema é que, nesses períodos de claridade, sua força é reduzida e ele não pode mudar sua forma. 
   Outra diferença é aparência do conde, que no livro está mais para uma versão envelhecida do de Vlad Steps (principe da Valaquia). Nos filmes oscila-se entre uma aparência mais grotesca (vide Nosferatu) e a figura de um homem charmoso e sedutor, que é mais usada recentemente. Para a maioria das pessoas dizer que Drácula tem grandes bigodes brancos é tão absurdo quanto dizer que ele se tornou vampiro após estudar magia negra em uma escola no meio  da floresta - essa é outra diferença entre livro e filme. 
   Citei essas diferenças para mostrar o quanto a leitura desse livro é uma experiência tanto familiar quanto nova, mesmo para os que gostam de histórias do gênero. Aqui temos os elementos mais tradicionais das histórias vampirescas mesclados com transes, aparelhos fonograficos e barcos a vapor - modernidades para a época, que o autor certamente utilizou para embelezar a trama. Um prato cheio para qualquer psicólogo, o livro tem personagens e trama aparentemente simples mas há algo de estranho e ambíguo em suas páginas. Um exemplo dessa ambiguidade é a estranha relação entre Jonathan Harker e o Conde; por mais que o vampiro beba apenas de jovens mulheres, é somente sobre Jonathan que ele exerce sua posse. "Esse homem me pertence!" grita, em determinado ponto da história. Isso sem contar todo contexto dos vampiro: mortos extremamente atraentes (!) que parecem seduzir os vivos. 
   A introdução da edição Penguin tem uma introdução muito interessante que toca um pouco nessas polêmicas, ao mesmo tempo em que nos narra um pouco a história do próprio Bram Stoker. Escolhi ler nessa edição por ser mais fácil de transportar, mas também li algumas partes da edição da Landmark. A tradução dessa última é a mais direta possível mas achei o texto mais seco e menos interessante dessa forma. Um ponto positivo nessa edição é a presença do texto original, em inglês. Sempre é divertido tentar ler esses livros mais clássicos no inglês original - só para descobrir em seguida que você não vai dar conta. 
   Não sei se por gostar muito da temática (Vampiros) ou por ser um livro que eu queria ler a tempos mas Drácula cumpriu com todas as minhas expectativas. No início a pegada é m
ais de terror (muito mais do que eu esperava, aliás) mas depois a trama ganha traços mais aventurescos. Há certo exagero na escrita de Stoker - as pessoas parecem chorar e fazer discursos loquazes o tempo todo. Embora tenha certeza de que o autor escreveu tudo isso a sério, me diverti com essa drama digno das melhores/piores novelas mexicanas. Recomendo Drácula para você que gosta de Vampiros e romances extensos. A narrativa é composta por cartas, diários, telegramas e isso torna a leitura bem rápida e interessante. Além disso, é muito bom ver o famoso monstro como foi concebido - e não da forma Hollywoodiana. 
   Nota 9 - muito bom



Annabelle 2 - A Criação do Mal (review)

   
  Annabelle 2- A Criação do Mal (daqui em diante apenas referida como Annabelle Creation, o título em inglês) é a sequência do derivado de Invocação do Mal, Annabelle.  Se o primeiro filme foi um hype enorme e fez todo mundo voltar a ter medo de boneca (eu achei meio bleh, mas...) o segundo parece ter tido uma estreia um pouco mais tímida. Eu, pelo menos não ouvi falar tanto sobre ele. 
   Ironicamente, estamos diante de um caso em que a sequência é muito melhor do que o primeiro filme. Tanto a trama quanto o clima de suspense, os personagens... Tudo é melhor em Annabelle Creation, quando comparamos ao filme de origem. 
   A impressão que dá é a de que a equipe criativa tentou concertar o roteiro fraco do primeiro, inserindo aqui uma história de origem muito mais verossímil e interessante que a primeira

   Claro, o final tenta "fechar o ciclo" e unir esse suposto prólogo ao primeiro filme da franquia, criando ao mesmo tempo necessária e meio desconexa com o restante do filme. Precisava mesmo de algo que unisse Annabelle à Annabelle Creation. Mas, ao fazê-lo, a sequência acabou perdendo a força. 
   Talvez a principal vantagem desse filme é o entendimento de que, para se fazer um bom terror é necessário algum grau de empatia pelos personagens. As crianças do filme se encarregam de criar esse sentimento - são todas muitos talentosas, desde a primeira garota (que faz Anabelle) até as jovens do orfanato. 
   Claro, não dá pra dizer que Annabelle Creation inventou a roda em matéria de terror. É tudo muito previsível, desde as cenas de susto até o andamento do roteiro. Mesmo assim essa previsibilidade, nesse caso, é até um pouco divertida: a gente sabe que a boneca estará atrás da garota, mas tapa os olhos mesmo assim. 

     Isso ocorre porque o andamento do filme é bom e a direção muito competente. O enredo pode até ser previsível mas é conduzido tão bem que a gente releva tudo. 
   "Mas Karol, você não disse que o enredo era bom?" é melhor do que o primeiro, sim. A história ao menos interessa. Mas é excelente? Vai mudar minha vida? Não. 
   Ainda sobre o enredo, até quando os filmes de terror do James Wan* vão seguir a mesma fórmula? Desde Invocação do Mal é sempre a mesma coisa: a gente acha que é um espírito e no final é um demônio. Okay, já entendi. Vamos seguir em frente?
   Enquanto isso não ocorre fica aí mais um filme divertido e que vale sim a pena, se você gostar do gênero. 
   Só não espere muito mais que uma boa diversao e algumas cenas de dar medo. 
   Nota 8 - bom filme


* James Wan produziu o filme.

P.S.: Passei a resenha inteira dizendo que o segundo filme é melhor que o primeiro mas vi agora que dei 8,5 para Annabelle enquanto a sequencia ganhou apenas um 8. Motivos? Embora no quesito narrativo a sequencia seja melhor, o primeiro filme tem duas cenas sensacionais, do tipo que eu me lembro e sinto medo até hoje. 


Dr Fausto - Thomas Mann (Resenha)

  
   A história de um homem que vende sua alma ao diabo na esperança de alguma gratificação terrena não é nova. Em Dr. Fausto de Thomas Mann o homem é Adrian Leverkuhn, um jovem e talentoso músico. Sua "biografia" é narrada por seu amigo de infância, Serenus Zeitblom, que começa a escrevê-la em meio a segunda guerra mundial. 
   A história de Adrian acaba servindo como metáfora da própria nação alemã, que também fez, de certa maneira, um pacto faustico com Hitler para assumir o domínio mundial. A deterioração da Alemanha e de Adrian vão acontecendo simultaneamente na narrativa do autor, muito embora a história do músico e compositor tenha se passado anos antes da sina alemã. Zeitblom, o suposto narrador da história, vai dando algumas pinceladas "do momento atual" em que está narrando a história, antes de se voltar para o passado. 
   Meu primeiro do Thomas Mann, tive alguma dificuldade com a escrita do autor no começo. Não só porque sua forma de narrar é das mais antiquadas e com vocabulário pouco utilizado; também suas ideias e concepções filosóficas e musicais estão muito além da minha capacidade intelectual. 
   Tirando esse desconforto pelas digressões que eu até agora não entendi e o ritmo arrastado da história, gostei muito da experiência de ler Dr. Fausto. Uma das reflexões que mais me chamou a atenção foi quando o autor afirma que inovar é como andar numa esfera - mais cedo ou mais tarde acabamos voltando ao início, ao primitivo. 
   Essa afirmação dialoga com a concepção de que a história mundial é cíclica, que as coisas estão meio que se repetindo ao longo dos anos, em maior ou menor grau de imitação. Com as notícias recentes de neonazistas nos Estados Unidos, ler esse conceito em um livro escrito durante a segunda Guerra mundial não deixa de ser simbólico. 
   Com certeza terei que ler Dr. Fausto algum dia, quando tiver mais bagagem filósofica para entender algumas discussões que ocorre no período em que Adrian passou na faculdade de teologia e em outros períodos do texto. Mesmo assim não me arrependo de ter lido esse lido agora, aproveitando a leitura coletiva que o Marcos Amaro propôs no canal dele. Ler Dr. Fausto desperta todas as sensações e reflexões que temos ao ler um legítimo clássico mundial.
   Recomendo aos que tiverem paciência e vontade de conhecer esse calhamaço impressionante, tanto pelo tamanho quanto pelas ideias nele expressas. 
   Nota 8 - bom livro


Meu Primeiro Assassinato - Leena Lehtolainen (Resenha)


   "Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro..."
   Djavan sabia mesmo das coisas. Tem melhor coisa do que ler tranquilamente naquele friozinho? Foi só o tempo esfriar que peguei esse romance policial, já que isso normalmente é sinônimo de uma leitura agradável. Junte-se isso ao fato da história se passar na Finlândia, um lugar beeem frio e pronto, temos a receita que tem tudo para dar certo. 
  "Meu Primeiro Assassinato" conta a história da policial temporária Maria Kallio, que é chamada para uma cena de homicídio em uma casa de campo. Ao chegar ao local se dá conta de que este não será mais um caso simples como os que vem trabalhando anteriormente: primeiro porquê não há, entre as 8 pessoas, qualquer uma que tenha assumido a autoria pelo assassinato. Depois há o pior de tudo, Maria conhece aquelas pessoas, incluindo o morto. 
    Embora haja uma chamada na capa que diz que essa é "uma estreia de tirar o fôlego para Maria Kallio" o andamento de "Meu Primeiro Assassinato" é tão lento que duvido que tire o fôlego de qualquer um. 
   Isso não seria um problema se o desenvolvimento fosse interessante mas é justamente aí que se encontra a maior falha desse livro. A investigação policial acontece de uma forma tão lenta e sem perspectivas que, quando tudo é esclarecido, a gente se pergunta se a detetive não acertou tudo por mero palpite.
   Maria Kallio é daquelas detetives que funcionam mais pesquisando e analisando as evidências. Porém, Kallio carece de personalidade e se comporta de maneira dúbia e indecisa o tempo todo. Os outros detetives não sentem confiança no trabalho de Kallio e o mesmo acontece com o leitor. Mas, no caso deste último, o que provoca a desconfiança não é por ela ser mulher e sim por carecer de qualquer qualidade especial que a possa distinguir de qualquer outro detetive. 
   Eu até leria outro livro dessa autora (vi que tem uma continuação) não fosse o final, que é absolutamente ridículo. O que era uma história mais ou menos se tornou um completo fiasco com um desfecho que inclui a detetive principal do caso tendo que levar um tapa da cara para se recuperar. A cena tem ares de dramalhão e só piorou o livro pra mim. 
   Terminei duplamente decepcionada pois, não só perdi meu tempo com uma história que não me deu o que esperava, como também falhei em encontrar uma boa série policial cuja protagonista é mulher.
   Nota 6 - não gostei.


P.S.: Alguém tem alguma sugestão de livro com polícia/detetive feminina? Miss Marple não conta.



Um conto de duas cidades - Charles Dickens (Resenha)

   

   Um conto de duas cidades é um romance histórico de Charles Dickens, que se passa no período da revolução francesa. Como o nome já deixa antever, as história se passa entre Londres e Paris, acompanhando personagens ingleses e franceses.    
Tudo começa com um homem que foi, por muitos anos injustamente preso, sendo finalmente libertado. O dr. Manette, já um pouco fora de si devido ao longo confinamento, conhece a filha que nasceu enquanto ele estava no cativeiro e, graças à Lucie (sua filha) aos poucos recobra a sanidade.    
   Quando finalmente solto e, antes de ir morar com a filha em Londres, o sr. Manette é acolhido pelo sr. Defarge, seu antigo criado, e sua esposa. Mesmo depois que o doutor vai embora, a história permanece com os Defarge por alguns capítulos, já que ambos são elementos chaves para a revolução que ocorreria dali alguns anos.    
   A sra. Defarge, que começa como uma personagem secundária, logo vai crescendo na trama, conforme revelações são feitas. Seu próprio marido, o mais ferrenhos dos defensores da República, é incapaz de se igualar a ânsia assassina da mulher, que tem como melhor amiga "A Vingança". Literalmente, sua melhor amiga tem esse nome mas, conforme vamos acompanhando a história, vemos um maior simbolismo nessa escolha de nomes.   
   Enquanto isso, na Inglaterra, Lucie conhece o sr. Charles Darnay e por ele se apaixona. Infelizmente, o sr. Darnay é acusado de traição e tem sua vida em risco. Nesse momento turbulento Lucie conhece Sydney Carlton, um auxiliar de advogado cínico e cansado de si mesmo e da vida errante que leva, mas incapaz de algo fazer para mudar seu destino.    Carlton aparece muito pouco durante toda a história mas, suas aparições e diálogos tem aquele caráter essencial e que tem as aparições dos personagens principais de uma trama.    Sim, Lucie e Charles são os focos narrativos principais mas, ao mesmo tempo, a impressão que se tem é que Sydney Carlton ocupa um papel muito maior na história, papel esse que sempre parece estar para ser revelado.    
   Sendo o personagem mais misterioso e complexo do livro, não é de se surpreender que tenha se tornado um dos meus favoritos durante a história. A inércia de Carlton é um pouco irritante, ainda mais porque não sabemos exatamente o que ocorreu com ele para levá-lo a tal estado, apenas conhecendo os fatos que virão a tirá-lo desse estado de incapacidade. Mesmo assim, Carlton é um personagem que cresce junto com a história e se torna ainda mais especial depois que tudo se encerra.    
   A trama gira em torno desses personagens e de mais alguns outros. Todos vão se relacionando um com os outros daquela forma intrínseca que ocorre nas histórias desse autor. Muitas coincidências parecem um pouco forçadas, mas não podemos esquecer que as histórias de Dickens eram populares justamente por seus personagens carismáticos e seu caráter "novelesco".   
   Falando um pouco do autor, desde "Grandes Esperanças" me considero grande fã de sua escrita e de suas histórias, capazes de fazer rir e chorar entre um capítulo e outro. Um Conto de Duas Cidades, porém, não possui uma leitura tão fluida. Talvez pela necessidade de apuro histórico, que restringe a criatividade do autor, ou por se tratar de uma história com cores muito mais pesadas do que as que eu li anteriormente, o fato é que demorei um pouco para me interessar por essa trama ou esses personagens. As últimas 100 páginas, porém, mudaram esse quadro pra melhor, trazendo os momentos mais incríveis do livro, e o retorno do Dickens que eu conheci nos outros livros que li do autor.   
   Uma questão que sempre me ocorre é "você prefere ser justo ou misericordioso?" e acho que a leitora desse livro me fez refletir um pouco mais sobre essa questão. A misericórdia nem sempre é justa, pois significa deixar para traz o mal que o outro nos fez e escolhermos, ao invés disso, o perdão. E a justiça, por mais correta que pareça, pode as vezes ser tão cruel quanto uma vingança, principalmente no período em que a história é narrada. Dickens faz questão de nos mostrar o sofrimento do povo francês para em seguida mostrar o quanto é cruel a justiça que eles se puseram a fazer.   
   Esses são alguns dos pensamentos que me ocorreram enquanto lia esse livro e, aliado aos personagens interessantes e ao emocionante desfecho, são a razão pela qual eu indico esse livro.    
   Talvez, se a pessoa não leu ainda nada do autor, Um conto de duas cidades não seja o melhor início. Mas, de todas as outras formas, essa é uma leitura que vale muito a pena.   
   Minha única ressalva é que o livro seja lido sem pressa, um capítulo por vez. Isso não só facilitará a leitura como vai evitar que a impaciência do leitor se acentue pois há muitos capítulos em que muito pouco acontece. Porém, assim que as coisas começam de fato a se concretizar, o leitor é recompensado com um belo desfecho, que faz jus ao belo parágrafo inicial desta história. 
   Nota 8 - um bom livro   



Filme: Dunkirk (Review)

 
   Christopher Nolan quer mesmo um Oscar. Essa foi a primeira coisa que pensei quando comecei a assistir Dunkirk, último filme da diretor, que também é roteirizado por ele. Afinal, porque fazer uma história sobre uma operação de resgate que ocorreu logo após uma das piores derrotas inglesas na Segunda Guerra Mundial
   O próprio tema da segunda guerra é sempre um dos favoritos a serem premiados mas, ao pegar uma história pouco explorada e com ares de tragédia, Nolan mostrou que não está pra brincadeira - Ele quer mesmo um Oscar.    Tecnicamente, Dunkirk é mesmo digno de reconhecimento: os efeitos sonoros despertam uma série de emoções e fazem com quem assiste ao filme se sinta no meio daquela situação desesperadora. A fotografia, também é impecável: há belíssimas cenas tanto em terra, quanto no mar e no ar - algumas delas tão lindas que seria possível fazer um quadro.
   Como eu disse, a história se passa em três cenários: mar, terra e ar. Em cada um desses "cenários" há um grupo de personagens com um propósito diferente. Os da terra querem sair de Dunkirk, os do mas chegar até lá. Já os aviões querem proteger os soldados que estão abaixo do ataque dos alemães, o que se mostra uma tarefa difícil devido a superioridade numérica desses.
   Alternando entre esses três ponto de vista, nem sempre de forma 100% linear e priorizando a narrativa do soldado inglês que quer sair de Dunkirk, Nolan vai construindo aquele que (para muitos) é o melhor filme de sua carreira. Se é mesmo? O tempo dirá. 
  Acho que o único aspecto que ficou um pouco aquém foi o desenvolvimento emocional/psicológico dos personagens. Talvez seja o roteiro, talvez certo distanciamento ao narrar a história mas, embora tenha me sentido angustiada em vários momentos (a ponto de, literalmente, roer as unhas) não me senti particularmente emocionada em nenhuma cena, nem mesmo com algumas mortes de alguns personagens ou o desfecho melancólico de um outro.    

    A impressão que eu tive, ao deixar o cinema, foi de ter assistido a um filme bem bonito e interessante mas em um nível puramente intelectual. Não sei se essa é a sua praia (sem trocadilhos) mas, se quiser assistir a um filme que tem tudo para receber alguns prêmios em 2018, recomendo Dunkirk.
   Nota 9 - um filme muito bom

O homem invisível - H.G. Wells (Resenha)

    Um jovem físico faz experimentos com a refração e a luz e acaba se tornando invisível. A partir daí o homem se envolve em uma série de confusão devido a sua nova condição. 
   O livro é dividido em três partes: na primeira, os moradores de uma pequena vila recebem a visita de um sujeito estranho, todo agasalhado. O sujeito tem hábitos solitários e extremamente rude com todos a sua volta, o que logo gera desconfiança dos moradores. 
    A segunda parte é a fuga do homem invisível, após ser descoberto e a série de crimes que o mesmo passa a cometer apenas porque pode, auxiliado por um certo senhor Marvel. Vemos nesse momento um dos grandes trunfos do livro: mais do que falar sobre um homem que ninguém pode ver, a história reflete sobre o quanto as nossas ações estão atreladas ao medo de uma punição. O indivíduo só é bom, honesto e educado porque todos podem vê-lo, prende-lo e julga-lo se agir de forma diferente. Um homem invisível não tem esses pudores e, nesse momento percebemos a condição cada vez mais deteriorada da mente e moral da personagem. 
   A terceira parte é a caçada ao homem invisível. Não vou dar detalhes, mas considero a melhor parte do texto: finalmente podemos ver alguma ação. O desfecho é previsível mas coerente com o restante da trama. 
   Não é um livro com muitos momentos de ação e os personagens são bem superficiais. Mas a leitura é rápida e vale a pena para os que gostam de ficção científica: Wells é um percursor do gênero. 
Nota 7 - leitura ok.