Livros 'Uma criatura dócil', 'Navegue a lágrima' e 'E se?' (DIRETO AO PONTO #017)


Uma criatura de dócil 
Autor: Dostoievski 
Ano:     /   Formato: LIVRO
Editora: Cosac Naify 
Opinião:  

O LIVRO FAZ PARTE DAS MINHAS METAS PARA 2016
Essa é uma novelinha curta, publicada pela editora Cosac Naify. Conta a história desse homem possessivo  e dominador que se casa com uma pobre coitada que conhece através do seu trabalho numa penhora de objetos apenas para dominá-la e a fazer sentir miserável (ao menos é isso o que parece). 
O livro é narrado sob o ponto de vista do homem e este se dirige a nós como se fossemos um juiz ou júri - o narrador nos conta sobre seu casamento para justificar a sua inocência: o corpo de sua esposa está na sala ao lado, mas ele quer que acreditamos que a culpa não é dele. 
Cena: Esse é um livro curto e não tem nenhuma cena especial ou favorita. O mérito dessa obra é a escrita do autor e a forma como ele, mesmo em poucas páginas, consegue elaborar uma história engenhosa e com personagens complexos. 
Nota: 8 - bom livro



Navegue a lágrima 
Autor: Letícia Wierzchowski
Ano: 2015    /   Formato: E-BOOK
Editora: Intrínseca
Opinião:  uma mulher solitária compra uma casa em um Balneário que pertencia a uma escritora a qual ela tem grande admiração. A mulher carrega seus próprios fantasmas do passado mas é o "fantasma" dos antigos moradores que ela passa a ver andando no local, de forma que toda a história daquela família acaba desenrolada para ela. O livro conta a história dessa família, narrada por sua nova narradora, que conta o que vê e também sua própria história. 
Navegue a lágrima foi uma leitura muito irregular para mim. Gostei da primeira parte da história e da escrita da autora nessa primeira metade. Embora tudo ainda esteja envolto em mistério, ficamos com vontade de saber o que de tão terrível vai acontecer com aquela família - a narradora deixa claro que os dias felizes ali retratado fazem parte do passado, que o presente é muito mais tenebroso. 
Na segunda metade, porém, não só a escrita da autora piora - me fazendo pensar que existe um lapso de tempo em que uma parte e outra foi escrita - como o enredo começa a se revelar bem sem graça também. Dessa forma, Navegue a lágrima pode ser interpretado de duas maneiras: Pode ser o exercício de superação de uma perda feito por uma mulher por volta dos sessenta que se sentia sozinha - e precisava de alguma forma desabafar para poder lidar com os seus sentimentos para superar tudo. Ou pode ser mais um caso em que a autora quer ter tanto controle sobre a obra (ou se apega tanto aos personagens) que acaba se perdendo e concluindo a história de uma forma que não faz jus ao resto do texto. 
Cena: Gosto da parte em que é narrada a forma como a escritora que morava na casa e seu marido se conheceram. 
Nota: 6,5 - eu achei o livro ok, mas tirei meio ponto porque me parece uma história que vou esquecer na primeira oportunidade



E se?
Autor: Randall Munroe
Ano: 2014    /   Formato: E-BOOK
Editora: Companhia das Letras
Opinião: O livro é um compilado de um blog de ciência que responde a perguntas estranhas dos leitores. Eu gosto muito da série "Guia dos curiosos", por isso achei que gostaria desse livro - afinal é mais um compilado de conhecimento inútil. O problema é que as respostas dadas pelo autor são cheias de cálculos e conceitos que são desinteressantes para mim. Dessa forma fiquei um ano lendo esse livro, pelo simples fato de que estava tudo muito chato. 
Cena: As únicas partes que gostei foi as que o autor dava resposta através de desenhos às perguntas mais esquisitas que eram enviadas ao blog. 
Nota: 6 - o livro pode ser interessante se você gostar de cálculos e de ciência, principalmente física. Mas física é a matéria que eu menos gosto, por isso não gostei MESMO desse livro.

As Aventuras do Bom Soldado Svejk - Jaroslav Hašek (ou: finalmente terminei o Livrada 2016!)


   Um calhamaço de mais de 688 e tantas páginas que, mesmo contando sobre as "aventuras de um soldado" não mostra uma única batalha. Eis "As Aventuras do Soldado Svejk" escrito pelo autor checo Jaroslav Hašek com base em suas próprias experiências na primeira guerra mundial. A história gira em torno desse personagem principal que, seja porque é muito esperto e dissimulado, seja porque é uma verdadeira mula, acaba se metendo nas improváveis e hilárias situações - e conseguindo se safar de todas elas.
   Esse era um livro que eu tinha grande vontade de ler desde o início do "Desafio Livrada" mas acabou que foi o último dos livros desse desafio que li. Aliás, essa palavra parece a mais ideal para descrever minha experiência de leitura, uma vez que acompanhar as peripécias desse soldado foi um dos esforços (literários) mais hercúleos que já fiz na minha vida. Para vocês terem uma ideia: Comecei a ler esse livro em setembro de 2016 e terminei somente no final de janeiro de 2017, após jurar para mim mesma que iria terminar esse livro ainda no ano passado. 
   Talvez, quando você tenha visto ou ouvido falar desse livro, alguém tenha lhe dito que se trata de uma história muito divertida e bem humorada e que esse é um livro muito gostoso de ler. Longe de mim dizer que as pessoas que pensam assim estão erradas - realmente o autor parece querer que o riso seja a resposta do leitor as peripécias do personagem. Mas o que acontece quando o humor que há nas páginas de um calhamaço de quase 700 páginas não é o humor que o leitor se identifica ou acha engraçado? Foi o que aconteceu comigo. 

   Não que o livro seja de todo maçante. Até dei uma ou duas risadas em alguns momentos mas as histórias me parecem tão repetitivas que logo foram perdendo a graça. O humor de Hasek, além de apresentar o pior tipo de pessoa possível para dialogar com Svejk, consiste em fazer com que os personagens comecem a narrar "causos" absurdos enquanto dialogam entre si. Então é uma história e cada personagem que fala entre si vai contando outra história e assim vai até que o assunto principal retorna e é resolvido de forma abrupta. 
   Acompanhando Svejk desde o início, em seu alistamento, até todo o percurso que o mesmo faz para chegar até o local da guerra na companhia de seu batalhão, sinto um misto de admiração, por aquilo que Hasek estava tentando fazer (que é mostrar os absurdos e mazelas da Primeira Guerra Mundial pelo ponto de vista do povo checo e utilizando humor) e aquilo o que ele me passou, um bando de pessoas horríveis dizendo e fazendo coisas tão horríveis que parece até engraçado. 

   Foi muito difícil persistir nessa leitura e, quando cheguei ao final, acabei por receber outro golpe: O livro não tem final. O autor faleceu antes de concluir a história então tudo termina em meio a outro diálogo absurdo - ficamos sem saber até onde iria nos levar aquele aqueles momentos, se pessoas iriam morrer ou se a guerra iria mesmo acontecer para esses personagens. Tudo acaba de um momento para outro e não temos resposta alguma do que significava toda essa trama meio sem sentido. 
   Se você gosta de um humor seco e pautado no pior do ser humano, se quer conhecer algum ponto de vista diferente da Primeira Guerra Mundial ou ainda, se pretende ler alguma coisa que te faça conhecer melhor a cultura checa, leia "As Aventuras do Soldado Svejk". Caso contrário, não recomendo a leitura. 
   Nota 6 - não gostei 

DECLARO AQUI ENCERRADO O DESAFIO LIVRADA 2016! Um beijo para quem achou que eu não ia conseguir! 
   

5 motivos para ver Logan hoje mesmo!

   

   Logan já estreou com alta bilheteria e altas expectativas, é o filme do momento. Assisti na pré-estréia e fiz a resenha para o site "Multverso" (você pode conferir clicando AQUI) mas resolvi fazer uma lista dos 5 motivos pelo qual, ao meu ver, você não pode deixar de assistir esse filme.


5. Último filme de Hugh Jackman como Wolverine (e de Patrick Stewart como Xavier)

Para quem acompanha os X-Men desde o primeiro filme, lançado em 2000, é muito estranho imaginar uma história sem Hugh Jackman. Patrick Stewart já foi "substituído" por James McVoy na nova fase dos filmes na Fox mas, para mim, sempre será professor Xavier. 
Em Logan, ambos dão um show ao interpretarem esses personagens, que se tornaram conhecidos pelo público através de suas atuações,  pela última vez. 


4. Tiro, porrada e garras!

A classificação de 18 anos para o filme foi muito bem utilizada. A primeira cena, quando RETALHA um grupo que tenta roubar seu carro, já mostra que esse não é mais um filme bobo da Fox. Em Logan, cabeças vão rolar (literalmente) e as garras são mostradas da forma letal que nós sempre esperamos.  


3. Não apenas um filme de herói

    Nada de máscaras, fantasias, armas poderosas, apocalipse. Logan poderia ser mais uma história qualquer do personagem mas acaba se revelando a mais importante de todas, além de conter uma evolução do personagem que os outros filmes sobre Logan tentaram fazer mas nunca soou convincente.  Mais realista, mais dramático, mais adulto mas sem perder o humor de alguns momentos, esse Logan é algo que nunca vi antes (e ao mesmo tempo, é o que os fãs estavam esperando). 


2. Laura (X-23)

A Fox já está falando em traze-la para outros filmes dos X-Men o que é um pesadelo em questões de linha temporal (os X-Men estão nos anos 80, Laura em 2020 e muitos) mas faz TOTAL sentido quando pensamos na personagem em si. Calada e misteriosa, a garota logo mostra seus poderes mutantes e uma personagem invocada e briguenta em que esconde sua vulnerabilidade.  Além disso há algo de muito divertido em ver uma garotinha arrancando cabeças por aí - POR FAVOR, TRAGAM A X-23 PARA MAIS FILMES!


1. Melhor filme do Wolverine 


 É último filme de Hugh Jackman como Wolverine e dá pra ver que houve um esforço de fazer tudo certo. James Mangold consegue nos entregar o melhor filme desse herói, com mais realismo e fidelidade a alma do personagem do que qualquer outra trama produzida pela Fox sobre Logan anteriormente. Se você é fã e quer service vai amar Logan, o melhor é mais digno filme do Wolverine já feito. 

***


O filme vale muito a pena, está entre os meus favoritos do ano. Assistam e depois me digam se tenho razão ou não! o/


Dois Irmãos - Milton Hatoum (Resenha)

  
Recorte da capa da edição de bolso de Dois Irmãos (Fonte)

   Eram dois irmãos idênticos mas que se detestavam. Um dia, um irmão é mandado para longe, pouco depois de ganhar uma cicatriz no rosto que o acompanharia durante toda a vida. A tensão entre os irmãos só cresce ao longo dos anos, até chegar a um desfecho trágico. Com uma narrativa aparentemente comum, Milton Hatoum constrói uma história intensa, emocionante e muito bem escrita. 
   Uma história contada em cerca de 200 páginas mas que tem o efeito de um soco. A prosa do autor é excelente e vai nos mostrando a história dessa família amazonense de forma tão realista que é como se o narrador estivesse em nossa frente, contando tudo o que aconteceu. O "efeito de soco" que eu citei se refere as temáticas apontadas do livro que vão desde a ditadura militar até o incesto, esse um dos principais elementos da trama junto do ódio nutrido pelos dois irmãos, Omar e Yaqub
   É muito fácil ler esse livro e cair no esteriótipo do gêmeo bom e gêmeo mau, um clichê que povoa a ficção moderna. Mas, embora Omar e Yaqub sejam opostos da mesma moeda, um impulsivo enquanto o outro é paciente, os adjetivos bons e mau não servem para definir seres humanos reais e, tampouco, qualquer personagem desse livro. Não há bom e mau nessa história, todos podem agir de forma boa ou má conforme as circunstâncias e interpretações
   Enquanto as mulheres parecem amar em excesso, o contrário ocorre com os homens, que vem um no outro rivais pela afeição dessas mulheres: Zana, a mãe, prefere o filho Omar a Yaqub e até ao próprio marido. Já Halim, o marido, pouco a pouco passa a detestar Omar porque considera o filho a razão de não conseguir viver em paz com a mulher. Halim sente muito orgulho do filho Yaqub mas creio que essa suposta afeição só ocorre porque o mesmo permanece o máximo possível distante do lar.
Trecho da Capa de "Dois Irmãos". A casa é um símbolo da família desfeita
   Escolhi esse livro para o Clube de leitura do qual eu participo, principalmente pela minissérie, que estava prestes a estrear. Eu queria ler o livro antes, para não pegar nenhum spoiler da trama. Logo de cara percebi que foi uma escolha ousada: embora curta, essa história não é fácil de digerir e pode afastar um leitor despreparado. Cheguei a cogitar escolher esse livro mas a trama de Dois Irmãos já estava dominando meus pensamentos, eu queria que mais pessoas lessem essa obra incrível. 
   Narrado por Nael, o filho da empregada Domingas, em um esforço para descobrir qual dos gêmeos é o seu pai, o livro se passa em uma ordem cronológica não muito rígida. No início temos a mãe da casa, Zana, em seu leito de morte; no capítulo seguinte voltam-se alguns anos, no retorno de Yaqub depois de ficar anos no exterior. Como um contador de histórias, Nael as vezes avança, as vezes retorna no tempo, até traçar todo o panorama dessa casa (e família) destruídas pela vingança e pelo ódio. 
   Dois Irmãos foi publicado a menos de 20 anos, o que torna essa obra algo ainda recente, quando se trata de literatura, mas vejo nessa trama elementos dos melhores clássicos literários, do Brasil e do exterior. Posso estar errada mas vejo Omar e a Yaqub tão perenes na nossa literatura quanto um Fabiano, um Bentinho - a força dessa história me parece atemporal. Mesmo que o final não traga nenhuma revelação surpreendente ou até mesmo algum clímax dramático, a história de Dois Irmãos permanece no leitor e faz com o que ele reflita, mesmo muito tempo depois de ter lido, sobre os ocorridos, os personagens e seu desfecho.
    Pretendo ler outros livros do Hatoum e recomendo esse livro a todos que gostam de boas histórias, embora o leitor deva estar preparado para alguns temas tabu. Há muito tempo um livro não me surpreendia tanto por sua qualidade. Por isso, se estiver afim de ler, leia: essas 200 páginas são mais do que o suficiente para contar uma história forte e envolvente, com personagens tão reais que parecem saltar de suas páginas.
   Nota 9 - muito bom


|SINOPSE DO LIVRO NO SKOOB|

Filmes 'Um limite entre nós', 'A qualquer custo' e 'Lion: Uma jornada para casa' (DIRETO AO PONTO #017) #Oscar2017


Um limite entre nós
Ano: 2016
Atores / Atrizes: Denzel Washington, Viola Davis, Stephen Henderson etc.
Diretor: Denzel Washington
Opinião: Baseado em uma peça teatral homônima, o filme conta a história de Troy, vivendo na década de 50. Troy é um homem muito amargurado, que carrega alguns erros em seu passado e que vive para a mulher, Rose, e os filhos, um deles de um relacionamento anterior ao seu casamento. Ao longo de 2h18 acompanhamos a vida desse homem, seus ressentimentos e seu modo de agir no maior estilo "tudo ou nada", com erros e acertos.
É um filme bem dramático, todo concentrado nos mesmos cenários e em diálogos poderosos. A adaptação para o cinema trouxe muito pouco a história, porque se vê claramente algo de teatral durante todo o filme. 
Denzel Washington, que assina a direção e vive o protagonista, está em uma das melhores atuações de sua carreira e, junto com Viola Davis, conseguiu fazer desse um filme interessante se não lá muito divertido.
Cena: Das mais de duas horas de duração vários minutos poderiam ser cortados, principalmente do começo. Eu sei que o objetivo é nos apresentar os personagens mas foram as partes mais cansativas do filme para mim, a primeira hora desse filme é praticamente só introdução. 
Mas depois as coisas melhoram e temos cenas com carga dramática e emoção. Gosto de dois momentos em que a personagem de Viola Davis abre o coração: O primeiro, após descobrir um segredo do marido e o segundo, quase no final do filme, quando conversa com o filho. Viola floresce nesses momentos dramáticos, não me importaria nem um pouco se ela levasse o Oscar hoje. 
Outro momento bonito é, também no final, quando os filhos de Troy cantam uma música. Confesso que me emocionei um pouco nessas cenas que eu citei.
Nota: 7 - me parece o tipo de filme (ou peça) que só é possível com atores muito bons. Gostei de ter visto, mas não veria de novo.


|TRAILER|

A Qualquer Custo
Ano: 2016
Atores / Atrizes: Chris Pine, Ben Foster, Jeff Bridges
Diretor: David Mackenzie
Opinião: Dois irmãos que começam a assaltar bancos para poder pagar a dívida da hipoteca do rancho da família. Tanner, o mais velho, é o que tem mais prática nos roubos, já passou dez ano da sua vida preso por esse motivo. Já Toby não quer causar nenhum mal as pessoas mas está desesperado. Ele fará qualquer coisa para dar um futuro aos filhos. 
Um filme que tem uma pegada meio de faroeste, com os irmãos assaltando os bancos das cidadezinhas que vão passando, sendo seguido de perto pelos Texas Rangers. Um dos Rangers é interpretado por Jeff Bridges, que rouba a cena como um policial perto da aposentadoria. 
Eu vi bastante filmes para o Oscar nos últimos dias e, em alguns momentos, algumas histórias acabam passando sem causar muito impacto. Mas eu gostei de 'A qualquer custo', acho que o filme se destaca entre os indicados desse ano, com uma trama interessante e bem elaborada, um bom andamento (com doses certas de drama e violência) e uma história que reflete bem o momento de recessão vivido pelos americanos. 
É certo que não ganhará muita coisa na premiação, mas ainda assim vale a pena conferir. 
Cena: Fiquei um pouco triste no final, acho que não dá para ter final feliz numa trama tão crua quanto essa, mas isso não me impede de lamentar pelo destino dos personagens. 
Nota: 8 - bom filme. Recomendo para você que gostou de "Onde os fracos não tem vez".


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 Lion: Uma jornada para casa
Ano: 2016
Atores / Atrizes: Dev Patel, Nicole Kidman, Rooney Mara
Diretor: Garth Davis
Opinião: O filme conta a história de um garoto indiano de 5 anos que se perde de sua família e vai parar em Calcutá. De lá o garoto é enviado até a Austrália, onde é adotado por um casal australiano e vive lá pelos próximos 25 anos. 
Um belo dia, na casa de amigos, ele prova um doce tipicamente indiano e, a lá Proust, se lembra de toda a sua infância. A jornada do título consiste na busca que Saroo faz para encontrar a aldeia onde nasceu. 
Achei que esse filme tem um início e um final muito bom. A parte da busca, que acontece no meio do filme, deixa a trama um pouco entediante e fez até com que eu pegasse uma certa birra do protagonista. Mas gostei da ideia da trama e de ter assistido, principalmente quando paro e penso que tudo isso (ou algo similar) aconteceu mesmo. 
O desfecho é muito bonito e emocionante, principalmente quando lemos as informações no final do filme e descobrimos o que aconteceu. Só achei que houve uma falha em delegar o destino de um dos personagens mais importantes do filme com exceção do protagonista, a uma notinha no final da história. 
Cena: Como eu disse, gosto das cenas do começo, que mostram a amizade entre os irmãos e das cenas do final. As cenas mais chatas para mim eram as "visões" que Saroo tinha do irmão, quando ainda estava na Austrália.
Nota: 7 - um filme ok.
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Filme Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) #Oscar2017

  
    O ano é 1961. Os Estados Unidos estão em um grande momento econômico, JFK é o presidente e os americanos estão em plena guerra fria com a URSS; eles disputam, entre outras coisas, quem conquistará o espaço primeiro. 
   De um modo geral é um bom ano para morar nos Estados Unidos e para se trabalhar na NASA. A menos que você seja uma mulher negra como as três protagonistas desse filme. Nesse caso, você será relegado a uma área separada das outras pessoas, será tratada pior do que qualquer outra pessoa no local e todos vão te olhar como se você fosse um ET que acabou de pousar ali mesmo no Cabo Canaveral. 

   Esse poderia ser mais um filme mostrando o racismo americano que existia a não muito tempo atrás: negros andando na parte de trás dos ônibus, bebedouros e máquinas de café separada para negros e brancos - até mesmo o banheiro era diferente para "mulheres de cor". O que torna "Estrelas Além do Tempo" tão especial é o fato de não se prender na parte triste dessa história - em uma época em que ônibus com negros eram queimados unica exclusivamente porque havia negros dentro, essas três mulheres galgaram posições extremamente importantes na NASA, uma das agências americanas mais prestigiadas daquele período, "apenas" por serem brilhantes. E isso é mostrado no filme de forma bem alto astral (na medida do possível).

   Acompanhamos a história dessas três amigas, Katherine, Dorothy e Mary. A primeira é transferida para o primeiro escalão da NASA, trabalhando para conseguir lançar o primeiro homem ao espaço. A segunda quer ser uma supervisora e, em uma época em que um computador dominava uma sala inteira, aprendeu a controlar essa máquina (e ensinou outras mulheres!). Já a terceira,  Mary, precisa lutar para se tornar engenheira em um local que, antes, era exclusivo para brancos. Com muito jogo de cintura, genialidade, ousadia e empreendedorismo, essas mulheres arrasaram em uma época machista e em um ambiente mais machista ainda, sendo pioneiras na história da NASA. 
   O mais incrível não é descobrir o que essas (e outras) mulheres negras fizeram pela NASA. Surpreendente mesmo foi que ninguém tivesse contado ainda suas histórias e que seus nomes não tivessem maior destaque ou homenagens. Essas "Figuras Escondidas" (como diz o título original) precisavam vir à tona e não vejo maneira melhor para isso ser feito do que como foi nesse filme. 

   Sobre as atuações, tanto Octavia Spencer quanto Janelle Monae e Taraji P. Henson arrasaram em suas representações mas infelizmente só Octavia está concorrendo a um Oscar. Fiquei muito chateada quando soube disso, principalmente por Henson que, ao meu ver, faz uma perfeita Katherine G. Johnson. A falta de indicações pode ter sido ao fato da atriz ter inserida na disputa como melhor atriz (uma categoria mais concorrida) enquanto Spencer estava como melhor atriz coadjuvante. Eu ainda preciso assistir mais filmes das indicadas para melhor atriz para ter certeza, mas essa ausência me pareceu um tanto injusta. 
   Indico esse filme para aqueles que gostam de histórias de superação ou histórias reais com pessoas incríveis. Mesmo sabendo que é difícil que leve algum prêmio,  "Estrelas Além do Tempo" é um dos meus favoritos no Oscar até agora. Até me emocionei um pouco no final, quando mostram as fotos das verdadeiras "Estrelas" - isso reflete o tanto que essa história me tocou e foi importante para mim. 
   Nota 9 -  muito bom

P.S.: Mahershala Ali, que concorre a melhor ator coadjuvante por Moonlight, também está nesse filme. 


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Filme Lala Land - Cantando as Estações (Resenha) #Oscar2017


   Um musical concorrendo ao Oscar, em pleno 2017, em 14 indicações. La la land já chegou aos cinemas brasileiros como um fenômeno. O que havia nesse filme que despertasse tanto amor dos sindicados responsáveis pela premiação? Será que a história é tudo isso mesmo?
   O filme conta a história da aspirante a atriz Mia, que mora em Los Angeles a anos, sonhando em se tornar uma atriz. No entanto, o mais perto que ela chega dos sets é trabalhar como garçonete nos estúdios da Warner. Nesse momento em que a carreira está estagnada, Mia conhece Sebastian, um pianista apaixonado por Jazz, que sonha em abri sua própria casa para tocar as músicas que ama, mas que se vê obrigado a tocar música de Natal em bares.
   Como o subtítulo "Cantando as Estações" sugere, o filme se passa ao longo de todas as estações, começando e terminando no inverno. Isso não significa que a história toda se passa em um único ano, só mudam as estações, não sabemos quanto tempo passou entre uma e outra. O certo é que, desta forma, vamos acompanhando a relação de Mia e Seb, tudo envolto de muitas músicas, cores e dança
   Damien Chazelle, diretor de La La Land já havia falado sobre música antes, no visceral Whiplash. Mas, embora o diretor tenha dado declarações de que filmou Whiplash para mostrar que poderia fazer La La Land, é apenas o jazz e a música que unem ambos os filmes, sendo a abordagem completamente diferente. La La Land é um musical clássico, cheio de cores, dança e momentos grandiosos e belos. É um filme mais realista dos que os musicais clássicos, mas não perde a leveza e a beleza nem o ar de encantamento que produz em cada cena. O oposto de Whiplash, portanto. 
   Chazelle escolheu fazer um filme todo colorido e este vai desde o cenário até as roupas utilizadas pelos personagens durante a trama - até a paisagem tem cor. Há também um ar retrô nos vestuários e nos ambientes, mas vemos várias vezes os personagens utilizando o celular, então não dá para dizer que esse é um filme passado nos anos 50 (embora pareça). 
   Ainda sobre a direção, posso estar errada, mas tive a percepção de que o diretor procurou gravar tudo com o mínimo possível de cortes e repetições. Isso é ótimo, porque deixa o filme mais fluído e dá espontaneidade as cenas: quando Emma Stone e Ryan Gosling cantam juntos ao piano, há um momento em que um deles erra e os dois riem brevemente antes de continuar. Isso é fofo e dá realismo aos musicais - não precisa ser perfeito para ser mágico (algo que se aplica a várias coisas no filme). 

       Emma Stone e Ryan Gosling tem uma química excelente, já demonstrada em filmes como "Amor a toda prova". Em La La Land eles não só nos convencem como um casal, mas também entregam atuações impecáveis. São dois atores conhecidos por muita gente mas conseguem encarnar os personagens tão bem, que você até se esquece da personalidade por trás da atuação. Como ponto negativo para essa dupla fabulosa estão as vozes um tanto limitadas de ambos. Mas Gosling e Stone compensam esse porém com muita dança e carisma (E Gosling aprendeu a tocar piano em 3 meses, o que é impressionante).
   Este é um filme que homenageia muito Hollywood e o cinema de antigamente. Para os fãs dos musicais há certamente muitas referências a esse gênero mas, mesmo o que leigos (como eu) podem ver. A trama do filme, sobre seguir em busca dos seus sonhos e não perder a esperança, também tem muito do cinema de antigamente, mas contem alguns detalhes que remetem ao cinema atual, razão pela qual eu falei algumas vezes nessa resenha sobre realismo. 
   Falando em referências, percebi certa meta-linguagem no filme. Seb gosta de jazz clássico, um gênero em extinção, assim como os musicais e muitas das frases utilizadas por ele para justificar à Mia a razão de tanto amor por esse estilo, podem também se aplicar ao gênero. Quando Mia quer fazer um monólogo, novamente Seb dá um discurso que pode muito bem se aplicar ao filme que estão fazendo. Não é loucura dizer então que La la Land faz referências a Hollywood e também a si mesmo, enquanto musical. 

   Se eu tinha altas expectativas sobre esse filme, todas elas foram satisfeitas quando o assisti. La La Land tem um encanto todo especial e justifica as inúmeras indicações ao Oscar e também a apreciação geral. É impossível para alguém que goste do genero não se emocionar e encantar com essa trama. 
   Isso não significa que tudo seja previsível. Acho que no final há a cena mais bonita do filme, talvez aquela que tenha dado a obra sua (futura) estatueta de melhor filme. Porém não é algo que eu esperava e trouxe algumas reflexões adicionais para essa trama.
   Se você gosta de histórias de amor com dança sobre as estrelas, assista La La Land. Mais do que uma história de amor, temos aqui uma reflexão sobre os sonhos e sobre o que temos que desistir na nossa vida para poder chegar ao lugar em que queremos estar. 
   Nota 9 - muito bom - e minha aposta para melhor filme.

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P.S:   Tinha escrito uma resenha gigantesca para esse filme no momento em que acabei de assisti-lo, pouco mais de duas semanas atrás. No entanto, por algum motivo que me escapa o entendimento, essa resenha se apagou aqui no blogger, só restanto uma página vazia e um título. Se por um lado foi bom poder pensar no filme novamente passada algumas semanas, por outro é frustrante ter que relembrar todos os meus argumentos para a resenha.